Pesquisa do IRG Pesquisa, encomendada pela MATRIA, mostra desconhecimento do termo "mulher trans" e rejeição à aplicação da autoidentificação de gênero em banheiros, presídios e esportes femininos

A MATRIA apresenta o relatório Opiniões dos eleitores brasileiros sobre a autoidentificação de gênero (2025), com os resultados da I Pesquisa Nacional de Opinião sobre as Políticas de Autoidentificação de Gênero no Brasil. A pesquisa, encomendada pela MATRIA ao IRG Pesquisa, ouviu 1.100 eleitores por telefone entre setembro e novembro de 2024.
Clique na capa para abrir o relatório completo (PDF).
Uma transformação radical está em curso no Brasil. Sem debate público amplo, as categorias homem e mulher vêm sendo redefinidas por políticas de autoidentificação de gênero, que substituem o sexo biológico por uma identidade subjetiva e autodeclarada.
Na prática, isso significa que um homem pode ser reconhecido como mulher para todos os fins unicamente com base em sua declaração verbal.
Em 2018, o STF consolidou essa política, permitindo a alteração de nome e sexo em registros civis sem cirurgia, laudos médicos ou autorização judicial. A pergunta que o relatório procura responder é o que pensam os brasileiros sobre isso.
As políticas de autoidentificação foram implementadas sem consulta popular, ao contrário do Chile, que rejeitou em plebiscito uma proposta de constituição com tais medidas, e dos debates já em curso nos EUA e no Reino Unido.
Os Princípios de Yogyakarta, citados pelo relatório, sustentam que a alteração de nome e sexo legal não deve depender de intervenções médicas, laudos ou outros critérios. O relatório cita a versão de 2017 desse documento (Yogyakarta Principles plus 10).
O que a pesquisa mostra sobre a autoidentificação de gênero
Os principais resultados do relatório são:
- 61% dos entrevistados não souberam definir o termo "mulher trans" de acordo com seu significado; 39% o associaram a um homem que se sente ou deseja ser mulher.
- 81,4% discordam que homens que se identificam como mulheres tenham direito de usar banheiros femininos com base na autodeclaração.
- 81,0% discordam de homens nessa condição ocupando celas em presídios femininos, e 78,5% se opõem à participação deles em categorias esportivas femininas.
- 89,8% se opõem à troca do termo "mãe" por "pessoa que gesta" e 89,8% rejeitam a substituição de "mulher" por "pessoa que menstrua".
- 77,4% das mulheres se opõem às políticas de autoidentificação de gênero.
- 75,3% não concordam incondicionalmente com a afirmação de que mulheres incomodadas em dividir espaços íntimos com homens que se identificam como mulheres são preconceituosas.
O relatório classifica as respostas "concordo em parte" como discordância. Segundo a nota metodológica, as condições citadas pelos entrevistados, como cirurgia ou laudos médicos, contrariam a incondicionalidade da política em vigor. Essa escolha altera o percentual de concordância e deve ser considerada na leitura dos números.
Metodologia da pesquisa de opinião
A pesquisa ouviu 1.100 pessoas com 16 anos ou mais, em todos os estados e no Distrito Federal, em 188 municípios. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Segundo a ficha técnica, 20% das entrevistas foram auditadas por supervisores. A pesquisa está registrada no Conselho Regional de Estatística da 4ª Região (nº J3140).
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