A resposta pronta do machismo: "é inveja!"

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Quando mulheres lutam por seus direitos, o machismo responde: "é inveja dos homem".

Imagem postada pela ANTRA dizendo que mulheres têm inveja do pênis de travestis
Postagem da Antra, na qual representa mulheres (aqui chamadas pejorativamente de "TERF") como algozes de travestis por inveja ao pênis.

Essa suposta inveja ora é apresentada literalmente como inveja do pênis, ora se transforma em uma competição por atenção masculina.

A discussão sobre os direitos das mulheres é distorcida e transformada em uma suposta disputa pela atenção masculina, quando não somos nós que estamos colocando essa competição em pauta.

Comentários em postagens das redes sociais X (antigo Twitter) e instagram

Esse discurso é típico da mentalidade masculina e reproduz estereótipos antigos e machistas: as mulheres seriam naturalmente invejosas, competitivas, ressentidas e incapazes de pensar em qualquer coisa que não seja conquistar um homem.

Subjacente à ideia de competição pelo desejo masculino, está uma ultra valorização de estereótipos sexistas associados ao corpo e à aparência.

Comentários em postagens das redes sociais X (antigo Twitter) e instagram

Enquanto as mulheres lutam para serem reconhecidas como sujeitos de direitos, o discurso de muitos travestis apresenta nossas reivindicações como ódio motivado por ciúmes e rivalidade sexual.

Postagem da Antra, na qual representa mulheres (aqui chamadas pejorativamente de "TERF") como algozes de travestis por inveja de sua aparência, que seria mais bonita que a das mulheres.

Estamos discutindo a participação de pessoas do sexo masculino no esporte feminino, a preservação de espaços separados por sexo, políticas públicas, estatísticas, legislação e direitos historicamente conquistados pelas mulheres.

E a resposta?

Comentário em postagem da rede social X (antigo Twitter)

É frequente ouvirmos de travestis “sou mais mulher que você”.

A íntegra do vídeo pode ser encontrada no youtube: https://youtu.be/xgt5zJ2Ayi8?si=O43AmEwfpmj4gvhj

O que está implícito é “sou mais bonita que vocês” e, por isso, “vou roubar seus homens”. É o que afirmam quando dizem que, se tiverem que usar o banheiro masculino, os maridos das mulheres que defendem a separação por sexo poderão traí-las com eles.

Postagens nas redes sociais X (antigo Twitter), Instagram e Tik Tok

A resposta a nossos argumento sobre segurança, dignidade ou necessidade de proteção não enfrenta os pontos colocados, mas costuma ser uma provocação sexual, utilizando o desejo masculino como instrumento de humilhação.

Mensagens recebidas por mensagem privada, no perfil de Instagram da MATRIA

É bastante revelador que, diante de mulheres reivindicando direitos, a resposta seja acusá-las de ressentimento por, supostamente, não serem desejadas pelos homens.

Como se essa fosse a maior derrota que uma mulher pudesse sofrer.

Homens podem desejar, namorar e casar com travestis e construir suas vidas afetivas como desejarem. Nada disso exige alterar o significado jurídico da palavra mulher ou reorganizar direitos baseados no sexo.

O desejo masculino nunca foi o centro da nossa reivindicação. Não estamos disputando parceiros sexuais. Estamos discutindo nossos direitos.

Nossa dignidade não depende de aparência física ou de sermos desejadas. Tampouco a possibilidade de um homem escolher outra pessoa é motivo para abrirmos mão dos nossos direitos.

Não, não estamos com medo de perder homens. Estamos preocupadas com a perda de direitos, de espaços, de reconhecimento jurídico e da possibilidade de nomear nossa própria realidade.

Nnossa existência não é definida em função de homens.

Mulheres não estão em um concurso de sedução. Não queremos ganhar de ninguém na disputa por homens.

Queremos que nossos direitos sejam respeitados.