Quando mulheres lutam por seus direitos, o machismo responde: "é inveja dos homem".

Essa suposta inveja ora é apresentada literalmente como inveja do pênis, ora se transforma em uma competição por atenção masculina.
A discussão sobre os direitos das mulheres é distorcida e transformada em uma suposta disputa pela atenção masculina, quando não somos nós que estamos colocando essa competição em pauta.




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Esse discurso é típico da mentalidade masculina e reproduz estereótipos antigos e machistas: as mulheres seriam naturalmente invejosas, competitivas, ressentidas e incapazes de pensar em qualquer coisa que não seja conquistar um homem.
Subjacente à ideia de competição pelo desejo masculino, está uma ultra valorização de estereótipos sexistas associados ao corpo e à aparência.




Enquanto as mulheres lutam para serem reconhecidas como sujeitos de direitos, o discurso de muitos travestis apresenta nossas reivindicações como ódio motivado por ciúmes e rivalidade sexual.

Estamos discutindo a participação de pessoas do sexo masculino no esporte feminino, a preservação de espaços separados por sexo, políticas públicas, estatísticas, legislação e direitos historicamente conquistados pelas mulheres.
E a resposta?

É frequente ouvirmos de travestis “sou mais mulher que você”.
O que está implícito é “sou mais bonita que vocês” e, por isso, “vou roubar seus homens”. É o que afirmam quando dizem que, se tiverem que usar o banheiro masculino, os maridos das mulheres que defendem a separação por sexo poderão traí-las com eles.








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A resposta a nossos argumento sobre segurança, dignidade ou necessidade de proteção não enfrenta os pontos colocados, mas costuma ser uma provocação sexual, utilizando o desejo masculino como instrumento de humilhação.

É bastante revelador que, diante de mulheres reivindicando direitos, a resposta seja acusá-las de ressentimento por, supostamente, não serem desejadas pelos homens.
Como se essa fosse a maior derrota que uma mulher pudesse sofrer.
Homens podem desejar, namorar e casar com travestis e construir suas vidas afetivas como desejarem. Nada disso exige alterar o significado jurídico da palavra mulher ou reorganizar direitos baseados no sexo.
O desejo masculino nunca foi o centro da nossa reivindicação. Não estamos disputando parceiros sexuais. Estamos discutindo nossos direitos.
Nossa dignidade não depende de aparência física ou de sermos desejadas. Tampouco a possibilidade de um homem escolher outra pessoa é motivo para abrirmos mão dos nossos direitos.
Não, não estamos com medo de perder homens. Estamos preocupadas com a perda de direitos, de espaços, de reconhecimento jurídico e da possibilidade de nomear nossa própria realidade.
Nnossa existência não é definida em função de homens.
Mulheres não estão em um concurso de sedução. Não queremos ganhar de ninguém na disputa por homens.
Queremos que nossos direitos sejam respeitados.








