Massacre no Canadá e desinformação
O recente massacre em uma escola de ensino fundamental e médio em Tumbler Ridge, no Canadá, foi bastante noticiado. Mas o que pouca gente sabe é que naquele dia 10 de fevereiro de 2026 foi um homem que invadiu a escola, provocando terror.
Massacre no Canadá em Tumbler Ridge e a controvérsia na cobertura da imprensa
A informação imprecisa é resultado de manchetes como “Atiradora ataca escola no Canadá, mata a própria mãe, irmão e outras 6 pessoas” ou “Mulher abre fogo em escola no Canadá e deixa 10 mortos e dezenas de feridos”, que foram divulgadas para se referir a uma pessoa do sexo masculino que “se identificava como uma mulher”.



A maioria dos jornais não divulgou o nome verdadeiro do atirador, noticiando apenas aquele que ele escolheu para si, um nome feminino: Jesse Van Rootselaar.



Fotos de Jesse Van Rootselaar, único nome conhecido para o atirador candense responsável pelo massacre de 10 de fev. de 2026. Fonte: New York Post
Ainda que muitos assassinos se valham de nomes fictícios, o mais comum é que durante a cobertura jornalística de uma tragédia nós tomemos conhecimento do seu verdadeiro nome: Francisco de Assis Pereira é o Maníaco do Parque; Edgar Alves de Andrade é o temido Doca da Penha, para citar alguns exemplos emblemáticos.
Mulher trans ou homem? O papel da linguagem na percepção do ataque em escola
O fato é que, para a criminologia, o sexo é uma informação fundamental para a construção de padrões, perfis e estatísticas confiáveis. Por sua vez, o que nós esperamos do jornalismo profissional é que a informação correta prevaleça sobre o desejo de autoidentificação de um assassino.
Sexo biológico, criminologia e estatísticas de violência
Sabemos que, neste mundo masculino, são pouquíssimas as vantagens das mulheres sobre os homens. Talvez não configurar como principais suspeitas em crimes de massacre fosse uma dessas poucas “vantagens” de que desfrutávamos.
Mas, diante das notícias veiculadas sobre o atentado no Canadá, poucas pessoas puderam ter a clara compreensão de que quem puxou o gatilho era, na verdade, um homem – ainda que estivesse vestido “como uma mulher”.



É chocante observar como a imprensa mundial, mesmo diante de um crime bárbaro, se preocupou em garantir que nenhum crime de ‘transfobia’ fosse cometido e por isso fabricou todas as manchetes se referindo ao assassino no feminino. Mesmo as matérias que, no seu conteúdo, trouxeram a informação de que “a atiradora era uma mulher trans” não estão comunicando com clareza que se trata de um homem.
Como já foi demonstrado pela MATRIA, 61% dos brasileiros não sabe o que “mulher trans” significa – 11% acreditam que são pessoas do sexo feminino lésbicas ou com características socialmente consideradas masculinas, 23% creem ser qualquer pessoa que deseja ser do outro sexo, 18% não sabem dizer, entre outras respostas.
Desinformação pública: o que significa “mulher trans” para a população
Uma informação adicional contribui para a desinformação: foi noticiado que, no momento do ataque, a polícia local enviou uma mensagem de emergência para a população da pequena cidade informando que uma “mulher de vestido e cabelos castanhos” era a principal suspeita. Esse alerta impreciso poderia ter gerado consequências graves uma vez que tem o potencial de direcionar as buscas de forma equivocada – o que atrasa as respostas da polícia.
Além disso, colocou mulheres que correspondem à descrição em risco de hostilidade e de abordagens policiais equivocadas. Ainda assim, alguém poderia alegar: “Não se tratava de um mero disfarce. Esta era a verdadeira identidade do assassino”. E eu insisto: não era, e nem poderia ser.
Como no Brasil (segundo um levantamento da Unicamp) massacres em escolas provocados por mulheres até então eram inexistentes no Canadá. Mas, do dia para noite, uma “mulher” se tornou responsável pelo segundo atentado mais grave da história canadense. Como consequência disso, um nome de mulher passou a ser odiado. Por todo o planeta, em diferentes idiomas, ofensas foram dirigidas a uma mulher. E, assim, uma mulher – que nunca existiu, posto que era apenas uma identidade inventada por um assassino – passou a ser a pessoa mais execrada do Canadá.
Ataques a tiros em escolas e o padrão masculino de autoria
Nesse momento de luto e tristeza, é importante não perder de vista uma discussão que precisa ser feita com urgência: a socialização masculina não se dissolve no momento em que uma pessoa do sexo masculino decide transicionar para o ‘gênero feminino’. Alguns tipos de violência são, sim, predominantes na classe sexual masculina. Ignorar isso é uma falha grave que fragiliza estatísticas e políticas públicas de combate à violência, além de gerar desinformação.
É o caso dos ataques a tiros nas escolas, um tipo de violência sabidamente masculina. No entanto, no caso canadense, poucos veículos divulgaram o rosto do atirador e a maioria divulgou apenas o nome feminino escolhido por ele. Por que não mostrar o rosto? A supressão da imagem do atirador nas matérias jornalísticas acentua a desinformação no sentido de fazer os leitores acreditarem que ele seria uma mulher – o que é flagrantemente desmentido pelos traços masculinos do seu rosto.
Se essa é uma decisão editorial que pretende respeitar a “identidade de gênero” do assassino, é importante reconhecer que, no mesmo gesto, esta é uma decisão que desrespeita todas as mulheres.
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