Capa do livro "Trans" de Helen Joyce

MATRIA e Editora Caqui lançam no Brasil “Trans”, de Helen Joyce

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Best-seller internacional de Helen Joyce ganha edição brasileira em iniciativa da MATRIA em parceria com a Editora Caqui e marca estreia do Selo 1559

Nesta semana, chegou oficialmente ao Brasil Trans: Quando a ideologia encontra a realidade, livro da jornalista irlandesa Helen Joyce que se tornou um dos títulos mais debatidos dos últimos anos sobre identidade de gênero, direitos das mulheres e políticas públicas. O lançamento da edição brasileira foi celebrado com eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo, reunindo pesquisadoras, ativistas, profissionais da comunicação e pessoas diretamente impactadas pelos temas abordados pela obra.

A iniciativa de trazer o livro ao Brasil partiu da MATRIA – Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil, em parceria com a Editora Caqui, responsável pela publicação da edição brasileira por meio do recém-lançado Selo 1559, dedicado a obras teóricas e de não ficção voltadas ao debate público e à liberdade intelectual.

O que é o livro Trans, de Helen Joyce?

O livro "Trans", de Helen Joyce, foi eleito um dos melhores livros de não ficção do século pelo The Sunday Times

Publicado originalmente no Reino Unido em 2021 pela editora OneWorld, Trans: When Ideology Meets Reality rapidamente se tornou um best-seller do Sunday Times e foi eleito Livro do Ano por veículos como The Times, The Spectator e The Observer. A autora, Helen Joyce, é jornalista sênior da revista The Economist e ficou conhecida internacionalmente por sua cobertura sobre políticas de identidade de gênero, medicina pediátrica, direitos das mulheres e liberdade de expressão. Ela foi correspondente da revista no Brasil.

Ao longo de 404 páginas, a obra investiga como a ideia de que identidade de gênero é um atributo interno independente do sexo biológico deixou o ambiente acadêmico e passou a influenciar leis, protocolos médicos, políticas corporativas e instituições públicas no mundo anglófono. O livro examina impactos em áreas como esportes femininos, prisões, abrigos para mulheres, educação, linguagem institucional e medicina pediátrica.

Descrito pelo New York Times como “uma resposta inteligente e abrangente” ao rápido avanço dessas ideias no debate liberal contemporâneo, o livro busca responder não apenas o que pensar sobre o tema, mas sobretudo como determinadas mudanças conceituais se consolidaram tão rapidamente e com tão pouco debate público.

MATRIA e Editora Caqui: uma parceria para trazer o debate ao Brasil

A edição brasileira de Trans nasce de uma parceria entre a MATRIA e a Editora Caqui, editora conhecida por sua atuação em obras ligadas à infância, prevenção de violências e educação. A tradução é assinada por Caroline Arcari, também responsável editorial pelo Selo 1559, enquanto a ilustração da capa ficou a cargo da quadrinista Mariana Waechter. A quarta capa do livro é assinada pela própria MATRIA.

Mais do que um lançamento editorial, o livro também marca a estreia pública do Selo 1559, criado para publicar obras consideradas difíceis, controversas ou frequentemente evitadas por grandes editoras. Segundo o material de lançamento, o nome do selo remete ao ano de 1559, quando foi publicado o Index Librorum Prohibitorum, lista histórica de livros proibidos pela Igreja Católica — uma referência à importância da circulação de ideias e ao debate intelectual aberto.

Lançamento no Rio de Janeiro: debate sobre jornalismo, direitos das mulheres e destransição

O primeiro evento de lançamento aconteceu em 18 de maio, na Livraria da Travessa, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

O debate foi mediado por Clarice Saadi, diretora da MATRIA, e contou com a participação de Eugênia Rodrigues, jornalista e porta-voz da campanha No Corpo Certo; e Pedro Henrique Bezerra, rapaz destransicionado e mestrando em Sociologia pela UFF.

Pedro Henrique compartilhou sua experiência de destransição, trazendo um relato em primeira pessoa sobre aspectos frequentemente ausentes do debate público e das estatísticas. As vozes de pessoas destransicionadas, suas experiências e os motivos pelos quais foram levados a transicionar e, em seguida, se arrepender, são essenciais para se compreender a ideia de “identidade de gênero” enquanto fenômeno social e de contágio entre jovens.

Já Eugênia Rodrigues contribuiu a partir de seu trabalho de conscientização sobre os impactos do modelo afirmativo para crianças e jovens e suas famílias. Eugênia tem um longo histórico de ativismo em torno do tema, já tendo sofrido diversos e ataques e cancelamentos por conta de sua atuação.

Evento de lançamento do livro
Público do lançamento na Livraria da Travessa de Botafogo
Eugênia Rodrigues, Clarice Saadi e PEdro Henrique Bezerra em evento de lançamento do livro
A partir da esquerda: Eugênia Rodrigues, Clarice Saadi e Pedro Henrique Bezerra
Evento de lançamento do livro
Público do lançamento na Livraria da Travessa de Botafogo
Clarice Saadi e Pedro Henrique Bezerra no evento de lançamento do livro
Clarice Saadi e Pedro Henrique Bezerra
Evento de lançamento do livro
Público do lançamento na Livraria da Travessa de Botafogo

Houve cobertura do evento pela jornalista Isabela Jordão.

São Paulo: debate sobre liberdade de expressão, perseguição política e espaços femininos

Em 20 de maio, o lançamento chegou a São Paulo, na Livraria Martins Fontes, na Vila Buarque.

O encontro foi mediado por Maria Vitória Grisi, pesquisadora e diretora da MATRIA e reuniou para o debate Raquel Marques, advogada e feminista; Mariana Waechter, quadrinista e ilustradora da edição brasileira; e Isabella Cêpa, conhecida por um caso emblemático envolvendo liberdade de expressão e acusações de “transfobia” após comentar, a respeito de Érika Hilton, que “a mulher mais votada de São Paulo é homem”.

Em São Paulo, o debate girou em torno de linguagem, cancelamento de mulheres que ousam se posicionar e questões jurídicas. As três debatedoras passaram por perseguições por se posicionarem pelos direitos de mulheres com base no marcador ‘sexo’.

Em 2021, Raquel Marques foi expulsa da mandata coletiva da qual fazia parte na Assembleia Legislativa de São Paulo. O motivo? Os demais codeputados, dentre os quais se incluía Érika Hilton em seu primeiro cargo eleito, consideraram “transfóbica” a seguinte fala de Raquel: “queria que um dia o desrespeito ao direito da infância e adolescência ganhasse na mente da esquerda a mesma indignação que a transfobia causa”.

Desde então, Raquel se tornou advogada e hoje advoga para a MATRIA em processos nos quais enfrentamos os efeitos negativos da ideia de “identidade de gênero” sobre os direitos das mulheres e crianças. No debate, ela abordou o uso de acusações de transfobia em disputas políticas e jurídicas.

Mariana Waechter trouxe ao debate reflexões sobre arte, cancelamento e liberdade criativa, tema que atravessou sua trajetória após repercussões envolvendo uma tirinha sobre espaços femininos.

Isabella Cêpa, recém retornada ao Brasil, falou sobre sua experiência pessoal como primeira brasileira a ter reconhecido o status de refugiada política na Europa, desde o final da ditadura militar. Ela abordou ainda os impactos sociais e legais de processos movidos no contexto do debate sobre identidade de gênero.

Mesa de debates do evento de lançamento do livro
A partir da esquerda: Mariana Waecher, Isabella Cêpa, Maria Vitória Grisi e Raquel Marques
Mariana Waechter e Isabella Cêpa no evento de lançamento do livro
Mariana Waecher com seu bebê e Isabella Cêpa
evento de lançamento do livro
A partir da esquerda: Mariana Waecher, Isabella Cêpa, Maria Vitória Grisi e Raquel Marques
evento de lançamento do livro
Público do lançamento na Livraria Martins Fontes
Mariana Waechter e Isabella Cêpa no evento de lançamento do livro
Mariana Waecher com seu bebê e Isabella Cêpa
Evento de lançamento do livro
Público do lançamento na Livraria Martins Fontes

Um debate que chega ao Brasil

Embora o debate sobre identidade de gênero já esteja consolidado em países como Reino Unido, Estados Unidos e parte da Escandinávia, a chegada de Trans ao Brasil ocorre em um momento em que questões relacionadas a direitos das mulheres, proteção de crianças, medicina pediátrica, esportes femininos e liberdade de expressão ganham crescente espaço no debate público nacional.

Ao publicar a obra em português, a parceria entre a MATRIA e a Editora Caqui busca ampliar o acesso do público brasileiro a uma discussão internacional frequentemente restrita a leitores em língua inglesa — permitindo que o debate seja feito a partir de dados, jornalismo investigativo e pluralidade de perspectivas.

Capa do livro "Trans" de Helen Joyce

Livro: Trans: Quando a ideologia encontra a realidade
Autora: Helen Joyce
Tradução: Caroline Arcari
Editora: Editora Caqui — Selo 1559
Páginas: 404
ISBN: 978-65-84789-21-0