
Após a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal realizada em 5 de março de 2026, sobre proteção de meninas e prevenção da violência contra a mulher, a Associação MATRIA constatou a ausência do registro da participação da diretora da entidade, Celina Lazzari, na cobertura jornalística da Agência Senado.
Embora Celina tenha participado da mesa de debate como convidada, sua intervenção não foi mencionada na matéria originalmente divulgada, o que configurou uma omissão relevante no registro institucional do evento, especialmente considerando que a reportagem destacou manifestações de pessoas presentes na plateia que não integravam o rol de convidadas.
Diante dessa situação, a MATRIA encaminhou ofício à Agência Senado e à Secretaria de Comunicação Social do Senado Federal solicitando a correção da matéria ou a publicação de nota de retratação que restabelecesse a integridade do registro jornalístico da audiência. Durante sua exposição, Celina Lazzari apresentou considerações sobre a formulação de políticas públicas de proteção a mulheres e meninas, destacando a importância de considerar a realidade material do sexo feminino na análise da violência e abordando possíveis impactos de decisões judiciais recentes sobre registros administrativos, estatísticas públicas e políticas de proteção em espaços sensíveis.
Após a notificação encaminhada pela MATRIA, a Agência Senado incluiu uma breve menção à participação da associação na matéria sobre a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos. No entanto, a atualização publicada permanece incompleta e ainda apresenta distorções relevantes sobre o conteúdo efetivamente exposto durante o debate.
A matéria registra apenas que “para Celina Lazzari, é difícil elaborar políticas públicas sem considerar o marcador sexo como fundamental”, reduzindo uma exposição extensa e fundamentada a uma frase isolada, apresentada como se fosse uma opinião pessoal.
Na audiência pública, porém, a intervenção da MATRIA não consistiu em uma simples manifestação opinativa. Foram apresentados dados, análises jurídicas e impactos concretos de políticas públicas, incluindo:
- a relação entre violência contra mulheres e a realidade material do sexo feminino;
- os efeitos de decisões judiciais como a ADI 4275 sobre registros administrativos e estatísticas públicas;
- problemas de identificação criminal decorrentes da alteração registral por autodeclaração;
- impactos sobre políticas de proteção, inclusive em presídios e espaços sensíveis;
- relatos trazidos por mães e famílias sobre pressões institucionais envolvendo menores.
Nada disso foi registrado na cobertura jornalística.
A reportagem optou por destacar extensivamente outras intervenções, enquanto a participação de uma entidade nacional convidada a compor a mesa foi praticamente invisibilizada no relato inicial e, posteriormente, resumida a uma frase genérica.
Esse tipo de enquadramento produz um efeito conhecido no campo da comunicação pública: reduzir discussões complexas a opiniões individuais, retirando delas o contexto técnico, jurídico e empírico que as fundamenta. Na prática, isso transforma contribuições substanciais ao debate em meras “posições pessoais”, o que inevitavelmente minimiza a relevância da discussão apresentada.
Pesquisa nacional realizada pelo instituto especializado IRG Pesquisa aponta que cerca de 80% da população brasileira rejeita medidas como linguagem neutra ou alterações em políticas públicas baseadas apenas em autodeclaração de gênero. Esse dado demonstra que o tema não se limita a uma posição individual ou institucional, mas reflete uma preocupação social ampla.
A cobertura acabou apagando o conteúdo substantivo da intervenção da MATRIA, substituindo uma exposição baseada em dados, legislação e impactos institucionais por uma formulação simplificada que não reflete o que foi efetivamente apresentado na audiência.
Em audiências públicas do Senado Federal, a diversidade de perspectivas é parte essencial do processo democrático. Por isso, espera-se que a cobertura institucional registre de forma fiel e equilibrada as contribuições trazidas ao debate, especialmente quando se trata de temas sensíveis relacionados à proteção de mulheres e meninas.




