Foto de pés de adolescentes, ilustrando post da MATRIA sobre proteção à puberdade

MATRIA assina Memorando Internacional sobre Puberdade, Desenvolvimento e Direitos da Criança

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MATRIA endossa Memorando sobre proteção à puberdade

Criado por Stella O’Malley, psicoterapeuta fundadora da organização Genspect, o documento foi assinado por mais de 60 organizações internacionais comprometidas com a proteção do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e com abordagens éticas e não medicalizadas, bem como por profissionais de saúde e outros indivíduos preocupados com a medicalização da puberdade.

A MATRIA – Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil passa a integrar o grupo de organizações apoiadoras (Supporting Organisations) do Memorandum of Understanding on the Role of Puberty in Adolescent Development, um documento internacional que reafirma a puberdade como um processo essencial do desenvolvimento humano e defende a proteção do direito de crianças e adolescentes a um futuro aberto.

O que é o Memorandum of Understanding

O Memorandum of Understanding on the Role of Puberty in Adolescent Development é um documento internacional que estabelece princípios éticos e orientadores sobre o cuidado de crianças e adolescentes que vivenciam sofrimento relacionado ao gênero.

O texto afirma que a puberdade é um processo fundamental do desenvolvimento físico, psicológico e social, e expressa preocupação com intervenções médicas que suprimem esse processo, apontando riscos, incertezas e impactos irreversíveis quando realizadas antes da maturidade física e cognitiva.

O Memorando defende, como abordagens prioritárias, estratégias de cuidado minimamente invasivas, como apoio psicossocial, psicoterapia e acompanhamento clínico ético, em consonância com tratados internacionais de direitos da criança.

A MATRIA como organização apoiadora

Ao endossar formalmente o Memorando, a MATRIA se enquadra na categoria de Supporting Organisation, termo utilizado para designar organizações que:

  • reconhecem a importância da integridade do desenvolvimento infantil e adolescente;
  • defendem o direito de crianças e adolescentes a um futuro aberto;
  • apoiam princípios éticos baseados em evidências e em direitos humanos;
  • rejeitam a medicalização precoce e irreversível como resposta padrão ao sofrimento relacionado ao gênero.

Esse posicionamento é coerente com a atuação histórica da MATRIA na defesa dos direitos das mulheres e meninas, na proteção da infância e da adolescência e na promoção de políticas públicas baseadas em dados, evidências e responsabilidade institucional.

Logos de algumas das organizações apoiadoras do Memorandum of Understanding.
Logos de algumas das organizações que apoiam o Memorandum

Por que a MATRIA apoia este documento

A MATRIA entende que debates envolvendo crianças, adolescentes, saúde e identidade exigem prudência, responsabilidade ética e compromisso com o desenvolvimento integral.

O apoio ao Memorando reflete a convicção de que:

  • sofrimento psíquico deve ser acolhido sem simplificações;
  • intervenções médicas irreversíveis exigem critérios rigorosos;
  • políticas públicas devem proteger especialmente os mais vulneráveis;
  • o interesse superior da criança deve prevalecer sobre pressões ideológicas, institucionais ou econômicas.

Transparência e compromisso público

Ao tornar pública sua adesão ao Memorando, a MATRIA reafirma seu compromisso com a transparência, com o debate público qualificado e com a defesa de direitos humanos baseada em evidências.

A tradução não oficial do documento para o português foi realizada pela MATRIA, permitindo que leitores, profissionais, pesquisadoras e gestores públicos tenham acesso direto ao conteúdo e aos princípios que orientam esse posicionamento.