O Grupo de Trabalho de Mulheres de Axé da MATRIA constitui-se como uma articulação de mulheres de diferentes tradições de matriz africana unidas pela defesa dos fundamentos tradicionais, da autonomia religiosa e da transmissão dos ensinamentos das matriarcas da nossa tradição.
O GT nasce da preocupação com a crescente interferência de agendas externas às religiões afro-brasileiras, especialmente do ativismo de gênero, que, ao transpor categorias políticas contemporâneas para o campo do sagrado, tende a desconsiderar a cosmologia, a oralidade e os critérios rituais próprios dessas tradições. O GT afirma que o candomblé e demais religiões de matriz africana possuem lógicas internas próprias de organização, nas quais sexo, função ritual, ancestralidade e equilíbrio simbólico não se confundem com discriminação, mas expressam fundamentos religiosos legítimos e longínquos.
São objetivos do GT:
- Promover o debate qualificado sobre a preservação dos fundamentos tradicionais frente a pressões ideológicas externas;
- Fortalecer o protagonismo das mulheres de axé na defesa da autonomia dos terreiros;
- Produzir textos, notas técnicas, manifestos e orientações que esclareçam a diferença entre intolerância religiosa e divergência teológica legítima;
- Apoiar lideranças femininas na mediação de conflitos internos e externos relacionados à reinterpretação forçada de papéis civis e rituais;
- Dialogar com o poder público e a sociedade civil para assegurar que políticas de de identidade de gênero não resultem em violação à liberdade religiosa.
A justificativa para a criação do grupo fundamenta-se na necessidade de resguardar o direito constitucional à liberdade religiosa e à autodeterminação dos povos e comunidades tradicionais. As mulheres de axé reconhecem a importância do combate à violência e à discriminação, mas alertam que a imposição de leituras político-identitárias sobre o sagrado pode produzir apagamento cultural, ruptura da transmissão ancestral e conflitos desnecessários nos terreiros. Assim, o GT propõe uma posição firme e responsável: defender o respeito às tradições de matriz africana, valorizando o papel histórico e espiritual das mulheres, sem subordinar o campo religioso a agendas que não emergem de sua própria cosmologia e experiência histórica.

