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Por que homens não devem competir contra mulheres no esporte: o que diz a ciência

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Durante séculos, a mulher foi pensada como uma espécie de versão incompleta do homem.

Na Antiguidade, Aristóteles descrevia a fêmea como um “macho incompleto”: para ele, quando o desenvolvimento não alcançava plenamente a forma masculina, produzia-se uma mulher.

No século II, Galeno desenvolveu uma anatomia em que os órgãos sexuais femininos eram, essencialmente, os mesmos órgãos masculinos, só que voltados para dentro. Ovários seriam equivalentes aos testículos; o clitóris, ao pênis. A diferença estaria no grau de desenvolvimento e na posição dos órgãos.

Essa ideia atravessou séculos de medicina ocidental.

Essa lógica reaparece na atualidade, quando se trata o sexo feminino como se fosse apenas uma variação hormonal do masculino. É a ideia de que, se reduzirmos suficientemente a testosterona de um homem, seu corpo passa a ser equivalente ao de uma mulher para fins esportivos.

Mas mulheres não são homens com menos testosterona.

Sexo não é uma variável que se resume a um nível de testosterona. Homens e mulheres se desenvolvem, desde a vida fetal, sob diferentes condições sexuais e hormonais, produzindo diferenças em ossos, músculos, órgãos, dimensões corporais, distribuição de massa, capacidade pulmonar e cardíaca e inúmeras outras características relevantes para o desempenho esportivo.

A diferença de desempenho entre os sexos não se resume aos níveis de testosterona no sangue no momento da competição.

Homens possuem quadris mais estreitos e mais inserções musculares, favorecendo economia de movimento em corridas e saltos.

O ângulo Q (quadríceps) mais aberto nas mulheres faz os vetores de força levarem o joelho a uma posição de valgo, mecanismo típico da lesão do ligamento cruzado anterior (LCA). O ligamento feminino também tende a ser menor e menos robusto.

Mulheres têm risco de duas a oito vezes maior de ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) em comparação a homens no mesmo esporte, ligado a fatores anatômicos, hormonais e biomecânicos.

A pelve mais larga das mulheres cria um ângulo maior entre quadril e joelho, alterando a forma como a força é transmitida pela articulação.

Homens possuem coração, pulmões e traqueia maiores, ampliando a capacidade cardiorrespiratória;

Também possuem maior densidade óssea, envergadura e estatura média;

Mesmo após anos de supressão hormonal, permanecem com maior massa e potência muscular.

No volei, a rede masculina é de 2,43m e a feminina é de 2,24m, porque a média de altura de homens é maior que de mulheres.

Homens tendem a ter mais massa muscular e força absoluta, pois têm predominância de fibras musculares tipo II (fibras de contração rápida, associadas a força e potência).

Homens possuem mais glóbulos vermelhos no sangue, o que proporciona maior capacidade de transporte de oxigênio e desempenho aeróbico superior.

Para um esforço físico equivalente, a frequência cardíaca da mulher costuma ser mais elevada, o que antecipa a sensação de cansaço.

Mulheres têm concentração de hemoglobina cerca de 10% menor, o que reduz o conteúdo arterial de oxigênio e a oferta total de O₂ ao corpo.

Revisões científicas (Hilton & Lundberg, 2021; Stebbings et al., 2021; Hunter & Senefeld, 2024) mostram que terapias com estrogênio e bloqueadores de testosterona reduzem o desempenho de atletas do sexo masculino, mas não revertem essas vantagens estruturais adquiridas antes ou durante a puberdade.

Em corredores, mesmo após dois anos de terapia hormonal, os tempos seguem significativamente mais rápidos do que os das mulheres (Roberts, Smalley & Ahrendt, 2020).

Essas diferenças, aliás, começam antes da puberdade: aos 8 anos, meninos já superam meninas em média em quase 5% no salto em distância e mais de 30% no lançamento de dardo – atribuído a fatores genéticos ligados ao cromossomo Y (Brown, Shaw & Shaw, 2025).

Estudos que negam as diferenças entre mulheres e homens que reduzem testosterona podem envolver conflitos de interesse.

Um homem pode deliberadamente reduzir ou ocultar seu desempenho máximo, mas não pode simular uma capacidade física superior à que possui.

Por isso, pesquisas que afirmam que não há vantagem precisam ser lidas com ressalvas extras pois não necessariamente demonstram a ausência de uma vantagem potencial.

As categorias femininas existem justamente para que, sem competir contra a vantagem física masculina, seja garantido às mulheres que o mérito, o treino e o talento é que decidem uma competição.

Ignorar as diferenças biológicas em nome da autodeclaração de gênero não amplia direitos: desloca o problema, transferindo o ônus da “inclusão” para as próprias mulheres, que perdem espaço, segurança e reconhecimento.

Defender categorias femininas baseadas no sexo é única forma de garantir que o esporte feminino seja justo.