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Folha de São Paulo entrevista diretora da MATRIA a respeito da divisão na esquerda sobre pauta trans

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Veículo: Folha de São Paulo | Autoras: Anna Virginia Balloussier e Evelyn Aires | Data: 18 mar 2026

Clarice Saadi, diretora da MATRIA, foi entrevistada para matéria publicada na Folha de São Paulo a respeito da divisão atualmente existente na esquerda em torno da pauta trans.

Capa de matéria da Folha de São Paulo que entrevista Clarice Saadi, diretora da MATRIA, e respeito da divisão que Erika Hilton e a pauta trans representam na esquerda

A percepção de que nascer com aparelho reprodutivo feminino é inalienável à
condição feminina é muitas vezes vinculada às chamadas radfems, ou
feministas radicais.

Mas não são só elas. J.K. Rowling, criadora da série Harry Potter, é
notória crítica da pauta trans. No Brasil, a Matria (Associação de Mulheres,
Mães e Trabalhadoras do Brasil) defende a “importância do marcador sexo”
nesse debate.

“Mulheres são um grupo definido por uma realidade material, o sexo feminino,
e muitas das políticas públicas existentes foram construídas justamente a
partir dessa realidade”, defende Clarice Saadi, diretora da organização. E
correm o risco de serem relativizadas se isso não for levado em conta, segundo
ela.

Saadi dá como exemplo a penitenciária feminina do Distrito Federal. “Há 86
pessoas do sexo masculino alojadas no presídio feminino, e as mulheres
relatam serem constrangidas e assediadas pelos travestis que foram
transferidos para lá com base em uma autodeclaração de gênero”, ela diz,
usando sempre o pronome masculino para se referir a esse grupo.

A nova presidente da Comissão da Mulher, na sua visão, não chancelaria um
projeto de lei que vete a presença de trans e travestis nesses presídios. Isso é
ignorar a “realidade objetiva das mulheres”, diz.