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Por que a maioria das mulheres prefere ser atendida por uma ginecologista mulher? Você já se fez essa pergunta?

A autora do texto é psiquiatra e psicanalista, e associada à MATRIA


Nós mulheres rodamos internamente um software que é percebido por todas e que nos mantêm atentas à necessidade vital de zelar por nossa intimidade.


Nosso sexo e nosso corpo nos tornam mais vulneráveis fisicamente quando comparadas aos homens e, quando meninas, aprendemos a buscar uma primeira parceria de intimidade entre amigas. Entre nós, confidenciamos segredos, dividimos medos e desejos. E na adolescência, quando adentramos o desconhecido mundo do desejo sexual, por meninos ou meninas, mais uma vez é entre amigas que dividimos essas descobertas, no máximo com aquele amigo mais íntimo, em alguns casos. Nesse processo, a menina vai construindo seu senso de intimidade.


A escolha de uma mulher por um objeto de desejo sexual é um processo inconsciente, ligado à condição feminina e que se constrói com base nesse segredo, constituído a partir do senso de intimidade.


Como psiquiatra, há mais de 20 anos atendo mulheres que foram abusadas sexualmente por homens na infância, adolescência e vida adulta. Não raro essas mulheres, que passaram a vida guardando o que é um segredo pesado, falam sobre o assunto pela primeira vez diante de figuras como psiquiatra ou ginecologista. Alguém que inspire confiança. Essas mulheres ficam marcadas para sempre de muitas maneiras. 


As mulheres que nunca sofreram nenhum tipo de abuso, cresceram ouvindo as histórias de abusos de suas mães, avós, tias e amigas e conselhos a respeito do quanto é importante para uma mulher não se expor a situações que coloquem sua segurança em risco. Isso implica em preservar sua intimidade, nas mais diversas situações.


Exigir que uma mulher se sinta confortável ao dividir um espaço íntimo com alguém que ela percebe ser um homem é negar a existência da história das mulheres e do que é nascer meninas e crescer mulher.


Criminalizar mulheres por se sentirem inseguras e desconfortáveis com homens trans identificados em seus espaços privados é negar a programação deste software feminino, um dispositivo que se torna intrínseco à nossa condição de mulher. 


Portanto, não é de se estranhar que mulheres prefiram ser atendidas por ginecologistas mulheres. Essa escolha não é uma frivolidade e nem um luxo psicológico.


Quem ganha sua vida ouvindo mulheres em um consultório, entende o que estou falando. E quem é mulher, também.


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